Bioterra
Blogue de Educação Ambiental, iniciado em 01.04.2004
sábado, 4 de abril de 2026
Jesse Madigan - Time Falls
Paraísos fiscais globais "alimentam a desigualdade" enquanto os países ricos bloqueiam reformas da ONU
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| Ilhas Caimão |
De acordo com o relatório publicado na terça-feira, a economia global continua a perder centenas de milhares de milhões de dólares todos os anos devido ao abuso fiscal transfronteiriço — uma perda de receitas que os especialistas afirmam estar a alimentar a desigualdade extrema e a privar os governos de recursos necessários para combater a crise climática e financiar serviços públicos.
"O abuso fiscal global não é um desastre natural, mas uma escolha política", afirmou Liz Nelson, diretora da TJN. "Os governos têm o poder de acabar com esta injustiça, mas os países ricos continuam a proteger os interesses dos abusadores fiscais em vez dos seus próprios cidadãos."
O relatório destaca que os países membros da
Durante décadas, a OCDE liderou as negociações sobre as regras fiscais globais. No entanto, o relatório da TJN argumenta que estas regras foram concebidas para beneficiar as multinacionais e os países ricos, deixando o resto do mundo de fora.
O relatório surge num momento em que cresce o impulso para a criação de uma
"A transferência da liderança das regras fiscais da OCDE para a ONU é o passo mais importante que podemos dar para acabar com a era dos paraísos fiscais", disse Alex Cobham, diretor executivo da Tax Justice Network.
A
Miranda Sarmento quer taxar lucros extraordinários das empresas
sexta-feira, 3 de abril de 2026
U2 - Easter Parade
A canção apresentada no vídeo é uma versão de "Easter Parade", um tema original da banda escocesa The Blue Nile, interpretado aqui pelos U2. No que toca ao estilo musical, esta peça afasta-se do rock de estádio mais convencional da banda irlandesa para mergulhar no Sophisti-pop e no Art Pop.
Trata-se de uma composição minimalista e atmosférica, onde impera uma sonoridade polida e elegante, muito característica da produção de finais dos anos 80 e início dos 90. A faixa assenta numa estrutura de Ambient Pop, privilegiando texturas suaves de piano e sintetizadores que criam uma envolvência etérea e quase hipnótica.
Do ponto de vista interpretativo, a música funciona como uma balada contemplativa. A voz de Bono assume um tom mais contido e vulnerável, focando-se na carga emocional e espiritual da letra. A presença de elementos litúrgicos, como a repetição da expressão grega "Kyrie Eleison" (Senhor, tende piedade) na secção final, reforça o carácter solene e devocional da obra, transformando-a numa espécie de hino moderno de cariz espiritual.
Havia mais presos políticos depois do 25 de Abril do que antes?
Clara Mattei: capitalism is not natural - it’s enforced
Thomas Piketty, economista, autor de O Capital no Século XXI
«Este livro de Clara Mattei é um contributo importante para a construção de uma nova narrativa económica. Num momento em que a inflação está em alta e os governos se inclinam para, uma vez mais, pedirem aos cidadãos “que apertem o cinto” este livro é mais relevante do que nunca.»
Mariana Mazzucato, economista, autora de O Valor de Tudo
quinta-feira, 2 de abril de 2026
Laibach - Musick (feat. Wiyaala)
A canção "Musick", uma colaboração entre o coletivo esloveno Laibach e a artista ganesa Wiyaala, apresenta-se como uma fusão audaciosa de Eurodance, Industrial e Afropop. Lançada num contexto de exploração da cultura pop globalizada, a faixa marca uma viragem sonora para o grupo, que adota uma estética eletrónica mais vibrante e rítmica, embora mantenha a sua assinatura ideológica sombria e provocadora. Musicalmente, o tema assenta em batidas mecânicas e sintetizadores acelerados, típicos das pistas de dança europeias, que contrastam de forma fascinante com a energia orgânica, os ritmos tribais e o alcance vocal potente de Wiyaala.
No que toca ao significado, a obra funciona como uma crítica mordaz à omnipresença da música na era digital e ao domínio dos algoritmos. O Laibach utiliza a letra para descrever a música não como uma forma de arte sublime, mas como uma patologia, um vício ou um vírus que infeta a sociedade contemporânea. Não temos mais silêncio; a música nos persegue no supermercado, nos fones de ouvido e nas redes sociais. Através do contraste entre a voz profunda e autoritária de Milan Fras e o entusiasmo visceral de Wiyaala, a canção sugere que o ser humano se tornou um "escravo do ritmo", onde a música é utilizada pela indústria para preencher o silêncio e comercializar a alma humana. Em suma, acanção aponta que a música se tornou um produto de consumo rápido ("The human soul is advertised"), perdendo seu caráter sagrado para se tornar uma "doença" da qual não queremos ser curados.
Jason Hickel: “Os ricos estão a conduzir-nos para a destruição e não se importam”
Energia em Portugal: porque o nuclear não é (ainda) a resposta
Armando Alves (1935-2026), um dos criadores do design moderno em Portugal
quarta-feira, 1 de abril de 2026
A indústria europeia pretende colocar os europeus a financiar a baixa de preços dos medicamentos nos EUA
Gigantes globais da carne são forçados a reduzir as alegações enganosas sobre o clima
Der Blaue Reiter - Words of Silence
Miranda Sex Garden - Peep Show
And that's where I'll long to be
Please don't ask for more from me
Cos memory is all I'll be
[Refrão]
But I can live
In your mind's eye
Live, in your heart
I'll love you in your dreams
But please don't try to hold me in your arms
Show me a fantasy
And that's who I'll long to be
Please don't ask for more from me
Cos fantasy is all I'll be
[Refrão] 2X
O álbum Fairytales of Slavery, lançado em 1994, representa o momento de maior rutura e maturidade artística do Miranda Sex Garden, consolidando a transição da banda de um trio vocal de música antiga para um coletivo de rock gótico experimental e darkwave. Neste disco, a sofisticação das harmonias clássicas funde-se com uma sonoridade industrial densa, marcada por guitarras distorcidas, ritmos tribais e uma atmosfera assumidamente claustrofóbica e sensual. É uma obra que abandona a pureza acústica do passado em favor de um estilo de vanguarda, frequentemente comparado à sonoridade de artistas como Dead Can Dance ou à agressividade artística do movimento pós-punk.
O Fairytales of Slavery é amplamente considerado o disco mais negro, pesado e experimental da banda. Foi produzido por Alexander Hacke (dos Einstürzende Neubauten), o que explica a guinada drástica para o Rock Industrial e para uma sonoridade muito mais metálica e abrasiva oi produzido por Alexander Hacke (dos Einstürzende Neubauten)
A canção que dá título ao álbum funciona como uma metáfora central sobre o voyerismo e a exposição. Através de uma sonoridade que oscila entre o sussurro sedutor e a tensão caótica, a letra explora o desconforto de ser observado e o jogo de poder inerente ao ato de olhar. O termo "Peep Show" sugere um ambiente de cabaré decadente e sombrio, onde a feminilidade não é apresentada de forma passiva ou delicada, mas sim como uma força crua e, por vezes, perturbadora. Ao subverterem a imagem de "anjos" que as acompanhava desde o início da carreira, as integrantes utilizam esta faixa para explorar os desejos, os medos e a complexidade da psique humana, criando uma ponte entre a beleza técnica do conservatório e a rebeldia do submundo industrial de Londres.
O nome Miranda Sex Garden nasceu de uma vontade deliberada das fundadoras — Kelly McCusker, Jocelyn West e Katharine Blake — em unir o erudito ao profano, criando um contraste que definisse a identidade da banda. A primeira parte do nome, Miranda, é uma referência direta à heroína da peça A Tempestade, de William Shakespeare, simbolizando a pureza, a juventude e a herança clássica que as integrantes traziam da sua formação académica em música antiga.
Por outro lado, a adição de Sex Garden serviu como um contraponto irónico e provocador. Sendo jovens estudantes de conservatório que interpretavam madrigais do século XVI, o grupo queria distanciar-se da imagem austera e conservadora associada aos coros tradicionais. Ao introduzirem esta expressão mais carnal e terrena, as artistas estabeleceram uma dualidade entre o "celestial" das suas harmonias vocais e a atitude rebelde da cena underground londrina dos anos 90.
Esta escolha acabou por se revelar uma excelente estratégia de identidade artística, permitindo à banda transitar com naturalidade entre a solenidade da música renascentista e a estética sombria do rock gótico e industrial, sublinhando que a sua arte não estava presa ao passado, mas sim viva e em constante mutação.





